Toca-Discos Pioneer PL-530

O toca-discos PL-530 foi produzido no Japão por volta de 1976 e faz parte de uma linha intermediária de equipamentos de áudio da Pioneer. De acordo com o fabricante seu motor DC brushless de alto torque utiliza-se da tecnologia “Hall” para comutar o circuito de acionamento, reduzindo sensivelmente os ruídos internos e promovendo uma rotação bem suave e uniforme. O PL-530 teve muito boa aceitação pelo mercado na época de lançamento e até hoje continua sendo um ótimo reprodutor de discos  de vinil. Seu design lembra bastante o DD-1 fabricado pela Gradiente na mesma época, com diferença na base (plinth), que é em padrão walnut.

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Catálogo de 1977 da Pioneer apresentando o PL-530

Há alguns anos adquiri um exemplar desse aparelho pensando em fazer uma restauração. Embora o proprietário tenha me informado que estava funcionando, o estado geral dele era péssimo, como pode ser visto na imagem a seguir.

O PL-530 adquirido no estado.

Os problemas observados foram os seguintes:

  • Tampa com muitos arranhões, sendo que alguns eram relativamente profundos.
  • Base (plinth) completamente estufada.
  • Painéis de alumínio encardidos e com serigrafia gasta em alguns pontos.
  • Knobs e prato encardidos.
  • Parafusos oxidados.
  • Pés quebrados.
  • Conectores RCA e terra com mau contato.

O primeiro passo foi buscar o plinth original para substituição, que só pude obter no exterior. Felizmente consegui dois plinths, sendo um em condições muito boas mas sem peças e outro sem revestimento mas que forneceu diversas partes internas e externas, e que foram totalmente aproveitadas no processo. Antes de iniciar a desmontagem fiz a leitura dos manuais de utilização e serviço, para compreensão de suas características e especificações.

Base original do PL-530 com o revestimento de fábrica em walnut.

Já com todas as peças em mãos e leitura dos manuais concluída é que pus a mão na massa e iniciei a restauração. O trabalho durou 4 dias consecutivos, que me tomaram um feriado de Corpus Christi inteiro.  A partir de uma 5a-feira pela manhã começou a aventura da desmontagem, onde pude contar na época com minha filha para ajudar.

 

Dia 01

Para começar “aluguei” a mesa da sala por não ter na época uma bancada adequada, prometendo liberá-la até o domingo. O primeiro passo foi a desmontagem da tampa, cápsula e prato, seguindo-se a retirada dos painéis da parte superior.

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Mesa da sala, o “campo de batalha”.

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Desmontagem de headshell, cápsula e agulha.

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Iniciando o desmonte…

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Retirada do prato.

Retirada dos painéis da base.

Fiz alguns suportes com isopor para apoiar o toca-discos, de forma a ter acesso à tampa do fundo e removê-la. Assim tive acesso aos circuitos, motor, trafo e mecanismos.

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Retirada do fundo.

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Visão do interior do PL-530 com PCIs , motor, armaduras e demais partes mecânicas .

Dessoldagem dos fios do braço.

Dessoldagem dos cabinhos do braço.

Retirada do sistema do braço.

Retirada do braço.

Desmontagem da placa com controles de velocidade.

Desmontagem do sistema de controle de velocidade.

Desmontagem da PCI do motor.

Desmontagem das PCIs.

Desmontagem da armadura de suporte da PCI da fonte.

Desmontagem das armaduras de suporte das PCIs.

Dia 02

Depois da retirada de todos as peças e componentes da base, iniciou-se a etapa de limpeza, lavagem, polimento etc. O trabalho foi grande mas o resultado compensou bastante!

Peças limpas e polidas.

Peças limpas e polidas.

Peças limpas e polidas.

A tampa apresentava muitos arranhões e dois eram bem profundos. Para tentar melhorar seu aspecto utilizei uma técnica adotada na restauração do acrílico de carenagens de motocicletas que vi no programa “Mestres da Restauração” e também em alguns vídeos no Youtube. Antes de começar o processo foi necessário isolar a placa com a logomarca da Pioneer que fica no centro da tampa com fita adesiva de baixa aderência para não estragar a serigrafia.

Deve-se colocar a tampa sob água corrente e com uma lixa de numeração baixa (grossa) ir lixando bem devagar apenas nos riscos mais fundos até que eles fiquem praticamente imperceptíveis, dependendo da profundidade. Depois passamos para lixas de numeração mais alta (finas) até dar o acabamento. A passagem da lixa deve ser feita com o máximo de cuidado, movimentado-se tanto no sentido horizontal quanto vertical da superfície.  Antes de fazer esses procedimentos na tampa eu fiz testes em um pedaço de acrílico e funcionou.

Tratamento da tampa: lixas d'água 150 a 300 para riscos profundos e 600 para superficiais.

Lixas 100, 150, 400 e 600 para retirada de riscos profundos.

Tratamento da tampa: lixas 1000 e 1200 para acabamento.

Lixas 1000 e 1200 para acabamento.

Essa atividade tem que ser feita com muito cuidado e paciência, sempre com a presença de água.

Acabamento com lixa d'água 1000 e 1200.

Aplicação das lixas alternadamente, com água corrente.

Após a aplicação das diversas lixas a tampa foi lavada em água corrente e colocada para secar na sombra

Lavagem da tampa.

Lavagem em água corrente.

Secagem da tampa lavada.

Tampa secando.

Tampa lavada e seca faltando polimento.

Tampa seca e pronta para receber polimento.

Em seguida ela recebeu massa automotiva de polir a base de água. Aproveitei uma furadeira Bosch Hobby que vem com acessórios e fiz um polimento em toda a tampa.

Pasta de polimento.

Aplicação de massa de polimento.

Polimento.

Polimento com máquina.

Tampa polida e encerada.

Tampa polida que ficou com aspecto de nova.

Dia 03

Chegou a hora de levar as peças retiradas da base ruim para a nova base. Optei por não dessoldar todas as ligações mas apenas algumas, transportando-as em conjunto.

 

Plinth vazio para instalação dos componentes.

Transporte das PCIs e do mecanismo do motor para o novo plinth.

Fixação dos suportes do motor.

Fixação de armaduras e PCIs.

Ajuste do sistema do braço.

Fixação e ajuste do braço.

Mecanismo montado e ajustado.

Mecanismos e placas montados no plinth.

Dia 04

Após montarmos toda a parte interna optei por trocar os conectores RCA por outros novos. O cabo de áudio e o de força estavam em bom estado e foram mantidos. O conector de aterramento e os pinos das tomada CA estavam com zinabre mas foram limpos com solução de bicarbonato de sódio e água.

Cabo de força limpo, tomada lixada e polida.

Conectores RCA novos, terminal de aterramento e tomada limpos.

Os cabos e conectores foram polidos e depois testados, ficando prontos para utilização.

Teste de cabos.

Teste de cabos.

Fixação de parafusos dos painéis.

Montagem dos painéis.

Encaixe do headshell e peso no braço.

Colocação de cápsula e agulha.

Ajuste do sistema de elevação do braço.

Ajuste do sistema de elevação do braços (lift).

Fechamento da tampa do fundo.

Fechamento da tampa do fundo com os pés já montados.

Colocação do prato.

Colocação do prato.

Colocação do tapete de borracha.

Colocação do tapete de borracha.

Montagem das dobradiças da tampa.

Fixação de dobradiças na tampa.

E assim ficou o meu Pioneer PL-530 depois de 4 dias de atividade…nada mau para uma iniciativa DIY!!!

Pioneer PL-530

Foram feitos vários testes e o toca-discos se mostrou um aparelho de ótima qualidade. Comparando as diversas cápsulas que testei o melhor resultado que obtive foi com a Shure M44. Quando for possível pretendo experimentar outras como a Audio Technica, Grado e Ortofon, que têm modelos com custo/benefício atraente.

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Aproveito a oportunidade para registrar meus agradecimentos à Carol Manhães (filhota) por todo o apoio no trabalho, aos confrades Júlio Thomé e Emerson Pastorelli pelo suporte na aquisição dos plinths e à turma da Somtrês pelos incentivos DIY!

Até a próxima!!!

speaker

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