Amplificador Spectro SQA-2060

(Por Marcelo Yared)

Tempos atrás reformei um amplificador da Spectro, o SQA2100, segundo de uma linha da empresa, que ficou famoso pelo seu design não convencional para a época, bem como pelos detalhes técnicos do equipamento. Ele foi uma melhoria em relação ao primeiro lançado, o SQA 2060, que foi objeto de uma análise em Antenna, de fevereiro de 1973.

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Esse amplificador é difícil de se achar hoje e imagens na Internet também não são muito comuns. Seus circuitos são montados em módulos, com conectores de fácil montagem e na fotografia da época, publicada na revista Antenna, vejam que isso tornava a montagem limpa.

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Uma vantagem alardeada pelo fabricante à época era o uso de fonte estabilizada para alimentar inclusive o estágio de saída, o que tem aspectos positivos mas também diminui a eficiência global do equipamento, além de agregar mais complexidade ao projeto. Na parte inferior do equipamento pode ser visto um módulo, que era adquirido à parte, para expandir o amplificador para uso de duas caixas adicionais, permitindo quadrifonia sintética.

A Spectro oferecia três anos de garantia em seus equipamentos, algo não muito comum na época. Os valores do 2060 e do acessório (fevereiro de 1973): Cr$ 1.590,00 e Cr$ 120,00 respectivamente.

Da imagem acima podemos observar algumas coisas em relação ao equipamento que reformei, trazido pelo Monteiro, e que ainda tinha o lacre original de fábrica:

  • Os transistores de saída originais AR17, da Philco, foram substituídos na fábrica por 2N3055 da Fairchild, mais robustos. Creio que isso deveu-se ao fato de o equipamento não ter furos de ventilação, o que aumenta a temperatura interna e o estresse dos componentes;
  • No módulo da fonte, o que tem os quatro capacitores grandes, podemos ver um componente retangular claro entre eles. É a ponte retificadora, que deve ser Semikron ou Siemens, e foi substituída por quatro diodos BY127 montados em um grande dissipador de calor.

Foi com dor no coração que cortei o lacre de chumbo e abri o equipamento. Estava um pouco sujo e com alguma oxidação no grande transformador de força. O pino de ligação na tomada infelizmente estava com mal contato, e teve que ser substituído também.

O processo de abertura é meio chato, mas depois de aberto a manutenção é bem simples, exceto pela placa do pré-amplificador, muito amontoada e cheia de fios. Troquei todos os capacitores eletrolíticos dela, o que foi uma tarefa de “chinês prisioneiro”. No total do amplificador foram 46 eletrolíticos substituídos.

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Observem que o painel traseiro, de alumínio, é utilizado para dissipar o calor dos módulos de amplificação e da fonte, o que deixa o conjunto quente, particularmente nos testes de potência contínua.

Após algumas horas de trabalho, todos os eletrolíticos foram trocados, as chaves foram lubrificadas e os potenciômetros receberam um pouco de Fospro.

Aliás, dentro da heterodoxia da Spectro neste projeto, os controles de graves e agudos são chaves de 11 posições. Isso limita um pouco o seu uso mas é melhor do que usar potenciômetros, em termos de durabilidade. Interessante é que, hoje, não sei se se encontram chaves 11X2 fácil no comércio. Potenciômetros duplos ainda são comercializados.

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A fiação de interconexão, ao contrário da maioria dos fabricantes da época, não é amarrada com barbante encerado (do qual nunca gostei, pois solta fácil e pega sujeira), e sim por uma espécie de fita, parecida com fita isolante preta, mas que adere bem e ainda estava perfeita após 46 anos de colocada.

Nas fotos abaixo, podemos ver os resultados da restauração.

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Nesta reforma, para “quebrar o galho” do Monteiro, coloquei um capacitor entre os terminais da chave liga-desliga do potenciômetro, de forma a amortecer o ruído de comutação que ocorre quando da comutação da chave. Não constava do projeto original e é ridiculamente barato.

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Remontado o equipamento, passamos então para a análise das características técnicas. Comparei com os valores divulgados no artigo de Antenna, colocados entre parênteses. A entrada utilizada foi a Auxiliar. Vamos lá:

Potência de saída – 29W/8ohms/1kHz (30W)

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Obs: Um canal estava com uma pequena oscilação supersônica que depois verifiquei tratar-se de um mal contato. Não influenciou na medição.

Distorção Harmônica Total

1W/8ohms/1kHz (<0,1% em qualquer potência até 25W) image022

10W/8ohms/1kHz (<0,1% em qualquer potência até 25W) image024

 Os valores estão bons, apesar de serem superiores ao especificado em 10 watts e à potência de 25 watts, conforme a especificação fornecida.

Relação Sinal/Ruído: Melhor que 60 dB para a entrada de fono; melhor que 70 dB para a entrada

Auxiliar. Os valores obtidos na entrada auxiliar são superiores aos divulgados, e são bons.

Distorção por Intermodulação SMPTE

1W/8ohms (<0,2% para qualquer potência até 25 watts por canal)image027

10W/8ohms (<0,2% para qualquer potência até 25 watts por canal)image030

 25W/8ohms (<0,2% para qualquer potência até 25 watts por canal)image031

Neste caso, os valores são superiores aos divulgados, mas são razoáveis.

Crosstalk 1KHz/1W/8ohms (>65 dB em1 kHz, até 25 W por canal)image034

Resultado bastante inferior. Com o controle de balanço totalmente virado para o canal do sinal, obtive -45dB, o que é bem melhor, mas ainda baixo em relação ao divulgado.

Resposta em frequência a 1W/8ohms (de 20 Hz a 80 kHz, ±1 dB em 1 watt)image035

Apesar de não alcançar o publicado, a resposta é muito boa – (20Hz a 70kHz ±3dB).

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Os resultados são bons e o aparelho ainda apresenta características boas mesmo após 46 anos de uso. As audições foram agradáveis e o funcionamento contínuo durante horas não trouxe fadiga auditiva, ruídos ou quaisquer outros resultados negativos. Um amplificador inovador para o mercado brasileiro da época.

Saudações a todos e até a próxima!

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